O cachimbo pode ser considerado o principal instrumento de cura de pajés, curandeiros e rezadores. Está presente nas tradições indígenas e afrobrasileiras.
Nas culturas sul americanas, o cachimbo é um instrumento pessoal, que deve ser utilizado apenas por uma pessoa, que nele firma sua energia.
Já nas culturas norte americanas, a Chanupa também é utilizada de forma compartilhada, em reuniões onde os participantes se sentam preferencialmente no chão e em círculo. É uma forma tradicional de se reunir em conselho para compartilhar histórias, resolver problemas e tomar decisões coletivas, favorecendo o sentimento de união e harmonia.
Seu uso como instrumento sagrado envolve alguns preceitos. O cachimbo ritualístico possui um fornilho, que representa o útero materno e a energia feminina e uma haste, que representa o falo e a energia masculina. Dessa união do sagrado feminino com o sagrado masculino se produz a fumaça, elemento de conexão com o Grande Espírito.
O fumo utilizado no cachimbo pode ter diversas composições. Em geral se utiliza o tabaco puro ou misturado com algumas ervas, cada qual com seus poderes particulares.
O avô tabaco é a planta de poder mensageira por excelência, que eleva as intenções e preces aos céus, purifica, fortifica e protege o corpo físico e espiritual.
Na consagração do cachimbo sagrado, a fumaça não é tragada. Ela é absorvida na mucosa bucal e depois soprada seguindo os direcionamentos cerimoniais.
Nós do Flor do Mar realizamos rodas de consagração do cachimbo sagrado seguindo a ritualística ensinada pelos povos originários.
Trabalhamos primeiro com a preparação do fumo e das ervas e com as oferendas aos ancestrais. A abertura do círculo é feita primeiro em silêncio e meditação, e depois com cantos e preces de invocação do espírito do Pai Tabaco. Há uma ritualística a ser seguida para acender o cachimbo, utilizá-lo e passá-lo ao próximo, alinhada com a sabedoria das sete direções e dos chakras.
A primeira rodada no círculo é de reverência aos espíritos da natureza e invocação de suas forças curadoras.
A segunda é de purificação e limpeza do corpo físico e espiritual.
A terceira é de rezos e firmezas de proteção.
E a final é de agradecimento e bençãos.
Abrimos também espaços para cotações de histórias sobre as origens do tabaco, as mitologias envolvendo o cachimbo sagrado e seus significados em diferentes tradições.
Aqueles que sentirem são convidados também a compartilhar cantos de voz e acompanhados de instrumentos musicais como violão, tambores e maracás.
Como sempre reforçamos, a procedência das medicinas utilizadas é muito importante, devendo o tabaco ser oriundo de produção orgânica.
Além da roda de compartilhamento coletivo, abrimos momentos de consagração de cachimbos para uso pessoal, para aqueles que assim desejarem.
Essa é uma cerimônia muito especial e forte também para quem quer se libertar do vício em cigarros e ressignificar sua relação com o tabaco como uma fonte de cura e conexão espiritual.
